É um prazer te “re-conhecer”

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Esperando o ônibus na rua 1° de Março, depois de uma manhã nos armarinhos do centro, tentando não derreter com o calor típico de Recife. Cansada de revezar o peso do corpo entre as pernas, olho para trás, um pouco impaciente, procurando um lugar na sombra para me escorar, e vejo um rosto conhecido.

É uma menina do tempo da escola. Ela está olhando para outra direção, fumando um cigarro, mas tenho certeza que já me viu. Retornando a minha posição anterior, lhe viro as costas para evitar contato visual já que, embora a gente tenha estudado na mesma sala, nunca interagimos de forma saudável. Por algum motivo ela não simpatizava comigo, e eu também não gostava de seu jeito. Nada concreto.

Enquanto reflito sobre ódio gratuito, um vendedor de pipocas avisa que mais a frente há um protesto e que por isso os ônibus não estão circulando. Uma nuvem escura de pneus queimados confirma o caos.

Tem um degrau perto da garota do colégio, e eu decido ignorar toda a tensão entre a gente pra ficar sentada lá até que o protesto acabe.

Algumas pessoas caminham até outra rua onde dizem que os ônibus estão conseguindo desviar, e a garota, sem olhar para mim, pergunta se a gente deve ir também. Meio surpresa respondo, digo que é mais seguro continuar ali distante e que é um protesto pequeno dos comerciantes locais, logo vai acabar. Ela concorda com um som quase inaudível.

Silêncio.

Para quebrar o gelo pergunto sobre a turma. Pergunto meio sem jeito, acreditando que ela vai me ignorar, mas logo ela está me contando quem casou, quem teve filho, quem está na faculdade. Sobre si, conta que trancou administração, já eu conto sobre Maracaípe, logística e meu retorno à Recife.

Depois de um momento de silêncio ela solta uma risada e fala que me achava muito fresquinha na época do colégio. Eu tenho que concordar, e sorrindo digo que eu também não seria amiga da Poliane de 2011, mas que acredito que as pessoas mudam um pouco com o passar dos anos. Ela concorda mais uma vez.

Depois que confesso que também não ia com sua cara, mas que até que estou curtindo sua conversa, levanto do degrau estendendo a mão e brincando falo: “prazer em te re-conhecer também”.


Ando conhecendo novas versões de um monte de gente “das antigas”.

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Crise Existencial n° 87631152773

Fiquei analisando as coisas ao redor por horas, o que me deu uma preguiça da gente. Uma sensação de que nada mais pode me surpreender ou despertar meu interesse nesse mundo, uma falta de sentido da vida: por que corremos atrás de tanta coisa física se não vamos levar nada daqui? A gente tem tanta pressa por quê?

Compartilhei o pensamento com a pessoa errada e acabei sendo censurada: “há tanta gente lutando pela vida enquanto você, saudável, reclama”. Mas essa é só outra coisa que já  não me surpreende, o ser humano tem medo de perguntas difíceis e por isso associa o questionamento de crenças a blasfêmia e o questionamento da vida a reclamação. Mas okay, respeito quem foge do tema, porque eu lembro como é difícil ter certeza de alguma coisa nessa vida, e mais ainda de como é perturbador perdê-la.

Mas não me deixei intimidar e continuei pensando sozinha. E pensar no assunto já é um começo, pois lembro que em outros tempos eu mesma não me dava essa liberdade; quando os questionamentos começavam eu tratava logo de espantá-los. Era mais confortável manter as ilusões do que tentar encontrar as respostas, as razões.

Eu não acreditava que desse pra extrair algo positivo desses momentos de reflexão,  na maioria das vezes eu só ficava deprimida mesmo, achando que nada mais valia o esforço já que a gente vai morrer (risos). O resultado que eu obtia era pensar: “Por que ir pra escola se a gente vai morrer mesmo, né?” e então eu não queria fazer mais nada (risos). Agora, mais crescida, acho saudável pensar em vida, morte, e nos porquês, pois essa reflexão que antes era sinônimo de tristeza e loucura, hoje me desperta a ser autêntica e a procurar um significado interessante pra minha existência fazendo essa estada no mundo valer a pena.

Burra – Esforçada – Inteligente

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Imagem: Pixabay

No começo do ano, quando iniciei minha busca ao primeiro emprego com a Cacheada, decidi ajudar meu tio Dário, que também está desempregado, entregando seus currículos com os nossos, já que buscamos vagas no mesmo segmento. Pra isso, precisei elaborar um currículo, e enquanto pedia suas informações para o esboço, percebi um constrangimento e uma baixa autoestima quando ele me disse que não tinha concluído o Ensino Médio nem tinha muitos cursos.

Eu acreditava que ele tinha o EM completo, e fiquei meio surpresa em saber que não, e mais do que isso, fiquei incomodada que ele, tão inteligente e criativo, estava se sentindo inferior por seu currículo. Eu tinha que fazer alguma coisa.

“E aí, tio? Queres ir atrás desse certificado do Ensino Médio? Posso te ajudar com isso!”

Como ele se mostrou disposto a recuperar o tempo perdido, eu comecei a pesquisar formas de ajudá-lo e foi quando descobri o ENCCEJA – Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos, um exame que concede o certificado de conclusão dos ensinos Fundamental e Médio aos que não tiveram a oportunidade de concluir no tempo certo.

Fizemos sua inscrição, e eu lhe disse os assuntos que ele precisava estudar (a grade completa do Ensino Médio), mas se pra mim, que vi esses assuntos recentemente, às vezes custa recordar, imagina pra ele que não os estuda há muito mais tempo? Então ele me pediu uma ajuda… com matemática.

“Então, tio… aí é com Rich ou outra pessoa, porque sou péssima com números e raciocínio lógico.”

Mas Rich está em Maraca.

Vi que precisaria ajudá-lo com as matérias também, mas fiquei pensando como fazer isso se eu tinha uma péssima história com a matemática…

Tudo começou no fundamental, quando começaram a misturar a porra dos números com letras e eu deixei de ser a criança prodígio que não fez a segunda série pois já sabia fazer todas as continhas e precisou ser adiantada, e passei a ser a menina que chorava na hora da prova e que SEMPRE ia pra recuperação de Matemática. O professor era bom, eu que me enrolava mesmo, sem contar que tinha uns sabichões que respondiam os exercícios rapidão e ficavam exibindo o resultado bem alto na sala sem dar a chance da lesma aqui calcular sozinha, então a aula acabava, não dava tempo de eu tirar dúvidas e no outro dia já era outro assunto pra aprender. Raitifudê!

A escola até deu início a um reforço de matemática básica aos sábados para os que tinham notas baixas,e eu me inscrevi porque pensei que só teria gente como eu, gente REALMENTE COM DIFICULDADE, mas adivinha quem estava lá? Os sabichões alugando a atenção dos professores pra ganhar um “parabéns”, uma estrelinha, um biscoito, não sei… MINHA GENTE, SE TOQUEM. NÃO APAREÇA NO REFORÇO SE VOCÊ TIRA 10, A NÃO SER QUE SEJA PRA AJUDAR!!! Desisti do reforço e às vezes desistia da matemática (risos).

No EM foi mais tranquilo, melhorei um pouco, mas mesmo assim ainda tive muita dificuldade.

Quando o colégio acaba, a gente pensa que está livre dos cálculos, mas a verdade é que TUDO tem cálculo (até nos rins. Desculpa a piada!), não tem como fugir… No curso técnico de Logística, por exemplo, era cálculo pra todo lado, mas as piores cadeiras foram Estatística, Matemática Financeira, e Gestão de Estoques. Grande parte da turma pagou Estatística 3x. Sério! Eu, péssima com números, passei de primeira nessas disciplinas, porque todos os dias eu levava umas 2 horas pra chegar no IF, e por isso não me permitia voltar pra casa com dúvidas ou sem entender o assunto como na época do colégio. E explorava mesmo os professores, os colegas de turma, e a mim mesma, e por mais boba que fosse a dúvida eu perguntava. Assim aprendi que quando temos dificuldade em algo temos que trabalhar isso ao invés de fugir. E precisar ajudar meu tio me deu gás para voltar a estudar a disciplina que eu mais me atrapalhava.

Agarrei o desafio de ajudá-lo, apesar de minha própria dificuldade, e comecei a estudar e preparar questões pra ele, que entende rapidão os assuntos e tem sido ótimo, porque passar o pouco que sei reforça na minha cabeça esses assuntos que vou precisar pra futuros concursos, Enem, etc… Sem contar que aprendo muito com ele também.

Bom, o exame é amanhã, e estamos todos muito apreensivos! :] É isto!

O que eu quis passar com esse post, foi o seguinte:

•Se você quer, ou conhece alguém que quer, conseguir o Certificado de Conclusão do Ensino Fundamental/Médio, uma das opções é o ENCCEJA;

•Ser inteligente é MAIS do que ser bom em cálculos, entre tantas outras coisas, acho que é fazer boas escolhas. Eu não sou boa com números, mas hoje acho que sou inteligente pelo simples fato de escolher trabalhar minhas fraquezas ao invés de fugir delas. E tio Dário com certeza também fez uma escolha muito inteligente, a de ir atrás de seu certificado.

Uma coisa que tudo isso tem me ensinado é pensar que se fulano consegue, eu também consigo, pois como fulano estou com a mente sadia, tenho acesso a um livro e fulano é um ser humano normal como eu. O fato de fulano ter “jeito pra coisa” significa que ele aprende mais rápido ou sozinho, mas não quer dizer que é impossível pra mim.

Se inspire no próximo, não se sinta inferior a ele.


PolianÊ

A Infeliz Saga dos Cálculos Renais VI | Fim?!?

Dias 18, 19 e 20/07/18: Internamento pré-operatório; segunda tentativa de cirurgia; alta.

Resumão:

Em Junho, na 1° tentativa da Ureteronefrolitotripsia Flexível a Laser (que eu chamei de “cirurgia por baixo” no post anterior), o equipamento não subiu, então voltei pra casa com um cateter ureteral – o Duplo J -, que depois me explicaram que era pra ajudar a dilatar o ureter possibilitando a passagem do ureteroscópio na próxima cirurgia.

O cateter tinha validade de 3 meses, mas, como Deus é muito legal comigo, marcaram rapidinho minha nova cirurgia que aconteceu dia 19/07. E, embora eu tenha dito no relato anterior que fariam a Percutânea (aquela com a incisão nas costas), eles optaram pela cirurgia flexível novamente (me explicaram que a percutânea envolve muitos riscos: perfuração de outros órgãos, necessidade de transfusão de sangue, etc e que por isso só é feita em último caso).

Dessa vez o equipamento subiu até o rim, foi assim que meu cirurgião viu que não se tratava de uma PEDRA, mas sim um CISTO CALCIFICADO. O Dr. S me disse que o cisto está numa parte mais isolada do rim, que não tende a crescer ou doer (acho que ele não pode afirmar isso, pois eu já tive crises antes), que sua remoção seria pela cirurgia percutânea com todos aqueles riscos, e que por essas razões não pretende mais mexer (só em caso de urgência). Estou meio preocupada com isso, mas já voltei a vida normal, porque como diz papai: O que não tem remédio, remediado está…

O que me deixa satisfeta, é que ele mesmo – meu cirurgião e urologista-  é quem vai fazer o acompanhamento desse cisto. E com acompanhamento quero dizer que a cada 6 meses eu devo lhe entregar algum exame de imagem (tomo ou ultra) para saber se cresceu ou sei lá o quê. Até 2019 então, Infeliz Saga dos Cálculos Renais…

Ele não vetou nada, mas eu sei que se eu tomar bebida alcoolica com certeza vou ter crise de rim, porque foi assim que tudo começou – em janeiro do ano passado, assim que voltei pra Recife, fui numa festa com Rich e essa foi a primeira vez que bebi DE VERDADE. No dia seguinte fui parar no hospital… (amadores!). Hoje morro de vergonha própria do post, mas aquele foi um dos dias mais legais da minha vida… -. Então é isso, minha relação com a bebida já começou acabando (risos), mas pra mim isso não é um drama, porque não sou muito fã de álcool, não, sou mais chegada em outros entorpecentes.

PolianÊ

Uma parada bem massa pra tu viajar

Não é o tipo de coisa que se compra em qualquer lugar. Eu mesma, antes de ser levada lá por um amigo, nem sabia onde achar essas paradas sozinha. Agora que sei, vou com frequência a procura de mais.

Na primeira vez que ele me deixou alguns, eu não usei assim logo de cara, preferi guardar pra desfrutar sozinha ou em alguma ocasião especial, sei lá. E foi num dia muito pensativo que acabei acendendo unzinho pra ver no que dava, já que dizem que ajuda a clarear as ideias.

Me enrolei um pouco com o isqueiro, e então… de primeira, nada demais. Só fumaça e um cheiro novo. Imaginando que fosse preciso alguns segundos, fechei os olhos para esperar o que quer que aquilo fosse me oferecer, mas foi quando novamente os abri que a magia aconteceu.

O quarto estava cheio de espirais de fumaça que se desmanchavam perto do teto, a janela aberta puxava, soprava e bagunçava essa fumacinha que passava por mim como fantasmas, e aquele cheiro… ah, o cheiro! O ambiente todo exalando o maravilhoso perfume do… cigar Incenso de Flor de Laranjeira (risos).

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Imagem: Pixabay

A Infeliz Saga dos Cálculos Renais V | “Cateter Duplo J”

Dia 05/06: Êta glóoooria!

Recebi uma ligação à noite de um número privado perguntando: “Poliane Victória?”. Pensei que era retorno de alguma empresa que deixei currículo (risos), era o Dr. R. falando que o hospital conseguiu a máquina e que eu deveria me internar às 7:00h do dia seguinte.

No caso, era umas 21:00h quando ele ligou e eu fiquei tipo: “hãn?”, “cirurgia de quê mesmo?”…

Como o Dr. S. (esse é meu urologista) tinha dito que a remoção de cálculo é um processo rápido, eu nem coloquei muita coisa na bolsa. Só meus exames, uma toalha, sabonete e uma muda de roupas.


Dia 06/06: Internamento

Cheguei cedo como foi pedido, mas fui encaminhada para o leito só às 15:00h, e jurava que voltaria pra casa à noite, até que o Dr. R. falou que o processo seria só no dia seguinte… à tarde.

“Anotação mental 1: Quando o médico falar que você vai se internar, quer dizer que você vai se internar mesmo, idiota! Então leva sandália, escova de dente, carregador, lençol…”

Como sou maior de idade, mãe não pode ficar me acompanhando então eu passei a noite sozinha, – quero dizer; tinha outras mulheres internadas lá, mas, né?… Matei o tédio falando com a Cacheada, e ligando para Rich, Thinho e Pai. Me zoando, Rich disse para eu aproveitar a deixa e fazer uma rinoplastia (risos), esse ridículo adora falar do meu nariz.

Demorei pra dormir, porque estava meio apreensiva e cheia de paranóia na cabeça já que essa era a primeira vez que eu passava a noite num hospital para um procedimento, mas o cansaço me venceu.


Dia 07/07: Agora vai… não foi!

Na visita da manhã, quando mãe subiu pra levar minhas coisas, eu já estava enturmada com as mulheres do dormitório feminino. Cada figura que nem sei (risos), uma delas, a única na minha faixa etária, apelidei de “Coxinha”, porque durante o jejum para o procedimento ela ficava repetindo que queria coxinha.

De tarde já estava de banho tomado e com a bata.

“Anotação mental 2: É pra ficar com 0 roupas por baixo da bata, entendeu, Poliane? Peladona, nua, do jeito que veio ao mundo…”

No centro cirúrgico os anestesistas conversaram bastante comigo explicando como funciona a anestesia geral e me fazendo perguntas. Nessa hora vi o Dr. S. no corredor e fiquei mais segura em saber que ele fazia parte da equipe (ele deu um soquinho na minha mão e falou: vai se livrar de mim hoje, né?). Na sala de cirurgia mesmo, a última coisa que lembro é da anestesista falando que não era para eu me preocupar, pois continuaria vestida. Ela mexeu no meu soro e eu apaguei.

Comecei a despertar devagarzinho, mas puxando o ar pela boca como se o mundo fosse acabar, porque não conseguia respirar normalmente (eu me escutava respirando, mas não conseguia abrir os olhos). O anestesista tinha me avisado que a dificuldade para respirar podia acontecer ao despertar, normal. Senti um incômodo no baixo ventre, uma ardência e uma puta vontade de urinar. Eu estava numa maca no corredor do Centro Cirúrgico batendo de frio, acordando e dormindo.

Quando me levaram pra o dormitório feminino de novo mãe estava lá. Afastei o lençol do corpo procurando por pontos e uma das meninas falou: “não tem ponto, não. É tudo feito por baixo”. Falei que precisava fazer xixi urgentemente e uma enfermeira me deu uma aparadeira. Sabe aquele lance de só conseguir usar o banheiro de casa? É… não consegui fazer xixi ali, deitada, naquela baciazinha, com tanta gente na sala. Eu tive que implorar pra enfermeira permitir que eu fosse até o banheiro, porque eu ainda estava visivelmente tonta da anestesia.

QUE DOR DO *#&^$$@**!!! E quando olhei o vaso, eu tinha urinado só sangue. Eu só não me assustei tanto, porque as outras pacientes já tinham me avisado que isso iria acontecer.

Quando voltei pr’o dormitório a equipe médica veio conversar comigo sobre o procedimento, eu só ouvi o “não conseguimos retirar a pedra…” e eu peguei no sono. Mãe e as meninas do quarto disseram que eu chorei e gemi a noite todinha reclamando de dor, só digo uma coisa: se eu não lembro eu não fiz (risos).

Dia 08/07: Alta

Me identifiquei com este tweet hahaha :c

O Dr. M. passou no quarto para conversar comigo e me explicou que por questões anatômicas não conseguiram alcançar o cálculo. Falou que seria preciso remarcar um novo procedimento em até 3 meses, e que até lá eu ficaria com um cateter do rim para a bexiga. Fiquei bem desanimada. Pensei que voltaria para casa com o problema resolvido.

Recebi alta. Antibióticos, antitérmicos, comprimidos para dor.

Em casa: incontinência urinária, muita dor para urinar. Pesquisas no google sobre o Duplo J: como é, como aliviar…


Dias 10, 11, 12, 13 e 14/07: Infecção urinária

Dois dias depois de voltar pra casa fui socorrida com uma crise de rim terrível. Rich me levou de volta pro hospital. Muita dor, não gosto nem de lembrar… Fiquei internada na enfermaria por 5 dias. A médica disse que é assim mesmo, o Duplo J é um corpo estranho no nosso organismo e causa incomodos. Vai ser assim até retirar.

Conheci muita gente engraçada naqueles dias, entre elas, uma senhora em estado terminal: câncer de pulmão e tumores na cabeça. Apesar de tudo, uma pessoa hilária quando não estava dormindo sob efeito da morfina. Suas acompanhantes eram igualmente humoradas.

Quando eu estou com Rich, tudo fica engraçado. A gente ria de um relógio de parede sem lógica que tinha lá, ria da enfermeira que implicava com meus alargadores, etc… E o povo pensando que a gente era um casal. “É meu irmão quase-gêmeo” – a gente estava naquele período antes do aniversário dele, onde ficamos com a mesma idade por alguns dias…


Dia 26: Revisão.

Nada demais. Só conversas. Falei que estava ardendo muito pra fazer xixi e ela me receitou um remédio.

Tenho que ligar para remarcarem a cirurgia – lembrando que a validade do cateter é de 3 meses.

“Cês vão tentar a percutânea, né?” “Provavelmente”.


Vou fazer um post para contar como tento aliviar os incômodos do Cateter Duplo J.

Pipoca & circo

5 segundos depois dessa foto, fui atacada por crianças gulosas. Hahaha

Acordei na sexta bem dolorida (na quinta tinha inventado de dar rolê com a Cacheada, quando deveria estar de repouso por causa do cateter – é que já estava cansada de tanto repouso), mesmo assim consegui convencer mãe de que estava bem e de que a gente deveria assistir o jogo na casa de vó. Meu interesse na verdade nem era o jogo, mas estar reunida com meus primos e tios.

Chegando lá com pipocas e chocolates me dei conta de que estava parecendo meu pai (apesar de que ele é mais exagerado, com certeza colocaria bandeirinhas verde e amarelas na casa, sei lá – risos -), e vendo a alegria e agitação dos pirralhos decidi que quero ser como ele de propósito, mantendo tradições e arrumando o ambiente em datas comemorativas.

Eu nem faço questão, mas estava vestida com a camisa que pai tinha mandado pra mim, e como Rich não queria a dele, dei a sua para Petryson. Binho colocou uma que ele já tinha e Asaphy – que depois de Helena é o menor e quer copiar os mais velhos em tudo – começou a aperriar pedindo uma camisa do Brasil também. Não sabia como resolver aquilo já que não tinha outra camisa, daí minha vó foi bem caladinha lá dentro do quarto dela e voltou com um monte de peças em verde e amarelo, que são de seu brechó. Nunca subestime um guarda-roupa de vó, menos ainda o da minha vó (risos). No final das contas, até minha mãe e minha tia ficaram vestidas a caráter.

O Brasil foi eliminado, okay. Mas que dia! Guloseimas, televisão do lado de fora, meus primos brincando de futebol, Asaphy vestindo a camisa que minha avó achou no guarda-roupa, simplicidade e inocência. Eu adoro essa aura infantil que a casa da minha vó tem. Às vezes acho que vou pra lá só pra me esconder da vida real.

“Pão e circo” – eu já sei, mas deixa eu fingir que o mundo não é uma bosta pr’eu não pirar de novo…


Na moral, contando os dias pra tirar este cateter. Exagerei na bagunça e agora tô de cama.