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Depois de tanto tempo te reencontro num dos meus lugares preferidos. Você nada mudou, a gente retoma exatamente de onde desistiu e não é esquisito. Eu finalmente falo as coisas certas, e tudo é tão perfeito que começo a estranhar.

Mas então seu rosto vai se apagando junto com o cenário. Aperto os olhos, pisco algumas vezes e quando definitivamente abro os olhos, estou em meu quarto.

A tristeza de tudo não ter passado de um sonho me faz chorar até encharcar a fronha do travesseiro. Não foi real e não há a menor chance de se tratar de um presságio, foi apenas um sonho.

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Abstrata

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Tem gente que parece aqueles quadros “bem pintados” até demais para meu gosto, com linhas certinhas e cores cuidadosamente combinadas pra representar o óbvio. Muita técnica e pouco sentimento. E eu prefiro os abstratos em sua ousadia de cores, riscos ou também com a profundeza de uma tela quase vazia.

Quando criança, nas aulas de artes eu associava o abstracionismo ao feio, o sem sentido, o louco, porque tudo que foge de uma compreensão concreta a gente é impulsionado a colocar na caixa do “errado”. Hoje continuo sem entender muito de arte, mas se exala liberdade já tem minha atenção.

Eu gosto de gente abstrata, gente que provoca meu segundo olhar mais atento e curioso, gente que tem significados. Por isso você, porque você dá forma ao irreal, gosto ao som. Porque você me provoca. Sempre que me ponho a te observar encontro um novo sentido.

Você vale por uma galeria inteira.

“Um beijo é só um beijo!”

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Imagem: Pixabay

Eu sei que vai soar meio bobo, mas foi com um beijo que a Bela Adormecida foi acordada, não foi? E é com um beijo que as mães curam os machucados das crianças, nunca viu comercial do Merthiolate???

É verdade que sou extremamente cafona e antiquada, mas eu também sou medrosa e tenho medo que com um simples tocar de lábios tu arranque os segredos mais profundos e as vontades mais ocultas que não ouso verbalizar. É muito perigoso, menina. De inocente beijo não tem nada; pode ser o começo de tudo ou uma despedida.

Tu ainda acha que um beijo é só um beijo???

Um Festival Coreano e algumas dicas pra vida!!!

Ontem (29/09/18) passei a tarde num evento de cultura coreana no Instituto Brasileiro de Línguas (IBL) aqui no Recife. O evento era um Festival Chuseok, que, pelo que entendi, funciona como aquele famoso feriado de Ação de Graças que a gente vê em seriado gringo com comidas típicas e família reunida. Mas não é sobre o evento em si que vim escrever, o intuito do post é registrar e dividir algumas lições aleatórias que aprendi no dia de ontem.


Vá sozinhx aos eventos de SEU interesse, ou escolha MUITO BEM a pessoa que vai convidar

Convidei duas pessoas para o Chuseok. Ambas mostraram-se animadas em conhecer a cultura coreana à princípio, but uma foi pra casa logo e me deixou lá, a outra disse estar meio indisposta, e não quis me acompanhar na oficina de culinária coreana (“muito picante”), nem da oficina de Dorama (“sala muito quente”). Logo me arrependi de ter convidado. Pedi desculpas e disse que continuaria no evento e que participaria das oficinas sozinha mesmo, porque fui lá para isso, e sabe o que aconteceu? Lá dentro, sem pretensão alguma, acabei conhecendo pessoas legais e que partilhavam dos mesmos interesses que eu, então se tem algo que aprendi ontem é que:

“A companhia pra hobbys e eventos que você tem interesse, você vai encontrar lá mesmo nesses lugares. Vá só!”

Não chame pessoas que não gostam ou que não estejam verdadeiramente abertas à ideia, porque quando a gente leva uma pessoa pra um evento que só a gente curte, a gente acaba não ficando 100% em paz já que se sente na missão de entreter a outra pessoa também. Não vale a pena. Vá só!

Ah, e nunca é demais ressaltar o fato de que sozinhx você tem mais liberdade e menos estresse: você faz seu próprio horário, pode mudar os planos, caso se perca ninguém fica enchendo o saco, e soxinhx não precisa ser fotógrafx de ninguém (sem ofensas, mas às vezes a pessoa só quer ficar de boas respirando e olhando a paisagem com uma companhia. Tipo, sem foto).

Depois de ontem, me sinto instigada a sair sozinha.

 
Por incrível que pareça, é mais fácil conhecer gente and flertar fora da internet

Eu definitivamente (?) estou abolindo da minha vida o flerte online. Não tenho mais paciência pra paquerar em chats: fingir que não sou louca, responder mensagens instantâneas, tentar tirar um foto que convença que embora não seja fotogênica eu até que sou bonitinha… O Chuseok também me mostrou que conhecer gente nova ao vivo e a cores é mais fácil (risos).

 
Saiba lidar com dias de manifestações na rua

Por coincidência, ontem também foi o dia escolhido para a manifestação do movimento #EleNao e mais coincidente ainda é que a concentração aqui do Recife foi lá no Derby, onde eu estava.

Eu tinha lido sobre isso no jornal pela manhã, mas achei que quando o evento do IBL acabasse o pessoal do protesto já estaria no centro e as vias do Derby liberadas. Calculei errado.

Deu um certo trabalho chegar em casa, na verdade cheguei só 3 horas depois. O que nos leva a última lição do dia:

“Ao sair só, leve dinheiro sobressalente, e em dias de protestos saiba identificar rotas alternativas para chegar em casa”

Sobre a manifestação: muito lindas as bandeiras e meias coloridas, muito lindo os casais homoafetivos. Muito feio os homi fazendo xixi nas àrvores.


Sobre o evento em si, o que tinha era o seguinte:

Cover de kpop

Sessão de Dorama

Goblin 😍

Comidas típicas, Karaokê, e aula de Hangul. E eu finalmente provei Pepero (biscoito coreano).


Sobre Primeira Vez, e outras particularidades que me aconselham a não compartilhar na internet…

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Como registrei em um outro post aqui no blog, meu 1° beijo aconteceu em meados do ano passado (sempre quis usar a palavra “meados” em um texto que não fosse um resumo de um livro de História). Eu tinha 20 anos, estava curiosa e cansada de carregar a sigla BV comigo, e alguns parentes estavam me pressionando (Rich falava pra eu deixar de frescura e beijar alguém logo, e minha tia dizia que eu não podia afirmar que gostava de meninas sem antes tentar ficar com um garoto), então eu bolei um esquema e perdi o BV com um rapaz que conheci por acaso numa visita ao meu tio.

Era só pra perder o BV mesmo, e, como contei no outro relato, fui bem honesta com ele sobre isso e sobre todo o resto (“não estou apaixonada por você…”, “eu me sinto atraída por garotas…”) e mesmo assim ele me pediu em namoro, coisa que aceitei depois de perceber que seria algo conveniente pra mim já que:

a) Mamãe, em particular, estava visivelmente contente em me ver com um boy;

b) Não sei como explicar isso, mas eu passei tanto tempo acreditando que era hétero e tanto tempo na igreja sendo educada a “namorar com a bênção dos pais”, que acabou se tornando uma fantasia ter um namoro hétero. Eu queria viver isso e dar esse gosto aos meus pais antes de ser eu de verdade. Como uma pessoa que está cursando Medicina para agradar seus pais, mas pretendendo trabalhar com Design Gráfico assim que acabar a faculdade. Ou como aquele amigo gay que casou com uma mulher só pra viver o conto de fadas de ter filhos e uma esposa;

c) Eu podia ir mais além com ele, pra me livrar do termo “virgem” também. Explico: como a sociedade nos faz acreditar que “sexo de verdade” é com penetração, na minha cabeça eu, erroneamente, pensava que a primeira vez TINHA QUE SER OBRIGATORIAMENTE com um cara pra ser considerada de verdade.

Então eu meio que criei uma lista imaginária, e mesquinha, de coisas pra fazer antes de dispensar o infeliz rapaz, que basicamente consistia em:

• Realizar minha doentia fantasia de namoro hétero fazendo ele me apresentar a sua família e apresentando ele à minha pra agradar todo mundo;

• Perder a virgindade com ele.

Eu tinha a consciência de que usar as pessoas é algo horrível, e pra driblar a culpa eu pensava: “Homi nem tem sentimento mesmo”, “Ele ainda vai sair no lucro já que tá dando uns pega em mim”, “ele sabe que não morro de amores por ele, ele sabe!” Mas quando terminei a palhaçada e vi o menino arrasado percebi o quão oca e calculista eu sou às vezes… e de modo algum, me orgulho disso hoje.

Segurei a farsa por 2 semanas, então terminei o namoro. E, embora tenha sido pouco tempo, rendeu algum conteúdo. O post é para compartilhar algumas experiências e conselhos… Espero que não me odeiem ou julguem muito.


A tal da Primeira Vez

Ele tinha comentado que sua mãe, que era cuidadora, dormia no trabalho nos fins de semana, então eu sugeri dormir na casa dele certo sábado pra gente assistir filme até tarde, mas na verdade eu só queria riscar certo item da minha lista mesmo…

Lição n° 1: Nem sempre a Primeira Vez acontece na primeira tentativa. E tá tudo bem. Sem neuras. Não há nada de errado com você por isso.

Depois de assistir um pouco de filme e ouvir músicas, eu falei pra gente ir pro quarto. Ele tinha desenrolado camisinhas, e já era experiente, embora mais novo que eu, mesmo assim foi… é… como posso dizer??? Na verdade não foi. Na primeira tentativa a gente não conseguiu… “a bola não entrava pro gol”, entende? O que me deixou cheia de paranoia pensando que tinha algo de errado comigo ou com meu corpo, mas depois de algumas pesquisas e conversas vi que isso é algo bem comum de acontecer por causa de tensão ou nervosismo. Então não se culpem por bobagens!!!

Voltamos pra sala e pro filme.

Lição n° 2: As pessoas superestimam demais certas coisas…

Quando finalmente aconteceu, eu só conseguia pensar: “Então é só isso???” Nem dolorido nem sangrento como costumam dizer que é. Só trabalhoso mesmo. Também não é como nos “filmes adultos” (ainda bem!).

No dia seguinte: “eu te levo em casa”, mas eu só queria um pouco de espaço pra pensar, ir andando pra casa sozinha avaliando o que aconteceu…

“Eu deveria estar me sentindo mais mulher ou mais adulta agora???” “Mãe vai perceber só de olhar pra mim? Preciso lhe entregar um relatório completo só porque ela é minha mãe?” “Preciso conversar com Rich e com tia Tuthie urgente!!!”

Rich é meu irmão do meio, apenas um ano mais velho que eu. A gente ficou muito próximo depois da separação de nossos pais. A distância geográfica (ele aqui em Recife com mamãe e eu em Maracaípe com papai) fez este milagre com aqueles dois aborrescentes que brigavam pelo PC e por tudo. Ele foi a primeira pessoa pra quem contei que estava me encontrando com meninas, com ele divido grande parte de meus pensamentos, então não foi estranho falar sobre sexo com ele. Foi leve, natural e muito interessante ter um ponto de vista masculino sob minhas dúvidas femininas.

Conversei muita coisa com minha tia também, o que deixou minha mãe chateada se sentindo trocada/traída, mas nos tópicos seguintes você vai entender porque não dava pra ter uma conversa dessas com mamãe. E hoje eu penso que poderia ter tido uma conversa honesta com minhas colegas também, mas pagar de “desenrolada” diante delas fazia parte de minhas fantasias…

Detalhe: eu não curto penetração. Mesmo nos meus momentos sozinhas nunca gostei de introduzir dedos ou qualquer outras coisas (sim, já experimentei). Então eu não sentia dor nem prazer quando estava com ele, era só indiferente. Mas antes de saber que isso é normal e que tem nome, Gouinage, eu me sentia um E.T, afinal o sexo convencional (tido por muitos como o “sexo de verdade”) envolve penetração, então eu pensava que tinha a ver com “se acostumar” com “posição” e tentei outras vezes com meu então namorado…

Certa vez ele me apareceu com umas camisinhas de posto e eu já fiquei tipo “sério?” O que nos leva a próxima lição…

Lição n° 3: Leve sua própria camisinha, garota!!!

Se você quer segurança, conforto, sabor, lubrificante, glitter, plumas, sei lá compre você a camisinha! Gaste tempo escolhendo o melhor pra você, porque nem todos os caras se preocupam com essas coisas não, entende? Grande parte, a gente sabe, nem curte usar camisinha…

Lição n° 4: Não é só colocar a camisinha, é COLOCAR DIREITO!!!

Não bastava a camisinha fuleira, ele não tinha o cuidado de deixar a ponta sem ar. E o que aconteceu??? A camisinha estourou.

Lição n°5: Saiba lidar com acidentes.

Fiquei desesperada. Eu só conseguia pensar em bucho e IST. Procurei no Google sobre Pílula do Dia Seguinte e… parece uma bomba relógio esse troço, quanto mais você demora pra tomar, a eficácia da pílula diminui.

Bem na hora em que eu estava indo pra farmácia, minha mãe pergunta:

-Vai sair de novo?
-Vou na farmácia…
-Fazer???
-… (sorriso amarelo)

E minha mãe, que se diz mente aberta, que enche a boca e fala pras amigas que tem uma relação honesta com os filhos, começou a me xingar. Desceu o verbo mesmo, enquanto eu tentava justificar que realmente foi um acidente. Fiquei muito desapontada, but not surprise com minha mãe e antes de sair simplesmente falei quão hipócrita ela era.

A neura com uma possível IST só passou semanas depois, quando fiz um exame pra me certificar de que não havia contraído nada…

Uma informação importante: Se a camisinha rompeu ou por algum outro motivo você fez sexo desprotegido, pesquise por “Coquetel do dia Seguinte”.

Como em casa mamãe estava me ignorando e como eu ainda tinha um item da minha lista pra riscar (apresentá-lo ao meu pai), viajamos pra Maracaípe. Dei um genro temporário ao meu velho, alguém pra ele conversar aquelas coisas de sogro, sei lá.

No dia seguinte, em Maraca mesmo, eu informei “cê sabe que quando a gente voltar pra Recife eu vou terminar com você, né?” Aquilo não era mais útil pra mim, minha mãe estava odiando a gente junto, o sexo não era bom, e como meu pai já tinha conhecido ele eu podia manter a farsa de longe sem realmente estar com o rapaz. Ele pediu que eu não fizesse isso com ele, e, embora a gente soubesse o real motivo, toda hora eu inventava algo pra convencê-lo de que era melhor terminarmos… “não combinamos” “preciso passar mais tempo com minha família” “tô estudando pra concurso, preciso de concentração” “tô me sentindo sufocada” “a gente é muito novo pra se enganchar com uma pessoa só” .

Karma…

Quando eu penso que vou ter paz…Minha família ficou muito apegada a ele, acho que porque foi o primeiro menino que eu trouxe pra casa. E isso nos leva a próxima lição aprendida:

Lição n°6: Não leve pra casa um ficante, um rolo… apresentar à família dá um ar de seriedade. Não faça isso com seus pais, não faça isso com uma pessoa se suas intenção não é essa.

De repente ficou insuportável ficar em casa, porque parecia um fã-clube destinado a ele. Minha mãe dizia que o que eu fiz foi horrível, minha tia falava que eu iria me arrepender de ter deixado passar alguém que era tão bom comigo, meu pai queria entender o que aconteceu, meu tio me perguntava o que eu fiz pra deixar o menino deprimido e minha prima dizia pra eu ter cuidado pra essa história não virar uma daquelas do Cidade Alerta, de namorado que não aceita o fim do relacionamento.

Falei pra minha tia que a gente não pode ficar com alguém só porque esse alguém nos trata bem, isso é o básico que uma pessoa pode fazer por outra, e pra minha prima expliquei que a gente não pode manter um relacionamento por medo.

Em uma conversa com meu pai ele me disse que eu não devia ter feito isso com eles (recentemente descobri que até hoje meu pai mantém contato com ele), mas também me disse que eu não precisava me culpar tanto, pois não era a primeira nem a última pessoa a partir o coração de alguém.

Depois disso, sai com algumas garotas, mas acho que não sou uma pessoa “namorável”. Pra mim foi mais fácil manter um namoro de conveniência do que me entregar as pessoas que já me apaixonei de verdade. Conheci uma garota muito incrível, mas que deixei escapar por medo de me entregar a algo que foge do meu controle. Não sei lidar quando sou eu que estou interessada. Odeio minhas emoções.

Depois dela não quis conhecer mais ninguém.


Por muito tempo tive receio de falar/escrever sobre essas coisas. Um dos motivos é uma certa divisão que há no próprio meio LGBT+, tipo lésbicas que discriminam outras lésbicas que já se relacionaram com homens. Mas hoje em dia eu não faço muita questão de ser aceita em grupos não, sabe? Minha prioridade é ser uma pessoa de conversa sincera. Então é isso.

Crise Existencial n° 87631152773

Fiquei analisando as coisas ao redor por horas, o que me deu uma preguiça da gente. Uma sensação de que nada mais pode me surpreender ou despertar meu interesse nesse mundo, uma falta de sentido da vida: por que corremos atrás de tanta coisa física se não vamos levar nada daqui? A gente tem tanta pressa por quê?

Compartilhei o pensamento com a pessoa errada e acabei sendo censurada: “há tanta gente lutando pela vida enquanto você, saudável, reclama”. Mas essa é só outra coisa que já  não me surpreende, o ser humano tem medo de perguntas difíceis e por isso associa o questionamento de crenças a blasfêmia e o questionamento da vida a reclamação. Mas okay, respeito quem foge do tema, porque eu lembro como é difícil ter certeza de alguma coisa nessa vida, e mais ainda de como é perturbador perdê-la.

Mas não me deixei intimidar e continuei pensando sozinha. E pensar no assunto já é um começo, pois lembro que em outros tempos eu mesma não me dava essa liberdade; quando os questionamentos começavam eu tratava logo de espantá-los. Era mais confortável manter as ilusões do que tentar encontrar as respostas, as razões.

Eu não acreditava que desse pra extrair algo positivo desses momentos de reflexão,  na maioria das vezes eu só ficava deprimida mesmo, achando que nada mais valia o esforço já que a gente vai morrer (risos). O resultado que eu obtia era pensar: “Por que ir pra escola se a gente vai morrer mesmo, né?” e então eu não queria fazer mais nada (risos). Agora, mais crescida, acho saudável pensar em vida, morte, e nos porquês, pois essa reflexão que antes era sinônimo de tristeza e loucura, hoje me desperta a ser autêntica e a procurar um significado interessante pra minha existência fazendo essa estada no mundo valer a pena.

Uma parada bem massa pra tu viajar

Não é o tipo de coisa que se compra em qualquer lugar. Eu mesma, antes de ser levada lá por um amigo, nem sabia onde achar essas paradas sozinha. Agora que sei, vou com frequência a procura de mais.

Na primeira vez que ele me deixou alguns, eu não usei assim logo de cara, preferi guardar pra desfrutar sozinha ou em alguma ocasião especial, sei lá. E foi num dia muito pensativo que acabei acendendo unzinho pra ver no que dava, já que dizem que ajuda a clarear as ideias.

Me enrolei um pouco com o isqueiro, e então… de primeira, nada demais. Só fumaça e um cheiro novo. Imaginando que fosse preciso alguns segundos, fechei os olhos para esperar o que quer que aquilo fosse me oferecer, mas foi quando novamente os abri que a magia aconteceu.

O quarto estava cheio de espirais de fumaça que se desmanchavam perto do teto, a janela aberta puxava, soprava e bagunçava essa fumacinha que passava por mim como fantasmas, e aquele cheiro… ah, o cheiro! O ambiente todo exalando o maravilhoso perfume do… cigar Incenso de Flor de Laranjeira (risos).

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