Um Festival Coreano e algumas dicas pra vida!!!

Ontem (29/09/18) passei a tarde num evento de cultura coreana no Instituto Brasileiro de Línguas (IBL) aqui no Recife. O evento era um Festival Chuseok, que, pelo que entendi, funciona como aquele famoso feriado de Ação de Graças que a gente vê em seriado gringo com comidas típicas e família reunida. Mas não é sobre o evento em si que vim escrever, o intuito do post é registrar e dividir algumas lições aleatórias que aprendi no dia de ontem.


Vá sozinhx aos eventos de SEU interesse, ou escolha MUITO BEM a pessoa que vai convidar

Convidei duas pessoas para o Chuseok. Ambas mostraram-se animadas em conhecer a cultura coreana à princípio, but uma foi pra casa logo e me deixou lá, a outra disse estar meio indisposta, e não quis me acompanhar na oficina de culinária coreana (“muito picante”), nem da oficina de Dorama (“sala muito quente”). Logo me arrependi de ter convidado. Pedi desculpas e disse que continuaria no evento e que participaria das oficinas sozinha mesmo, porque fui lá para isso, e sabe o que aconteceu? Lá dentro, sem pretensão alguma, acabei conhecendo pessoas legais e que partilhavam dos mesmos interesses que eu, então se tem algo que aprendi ontem é que:

“A companhia pra hobbys e eventos que você tem interesse, você vai encontrar lá mesmo nesses lugares. Vá só!”

Não chame pessoas que não gostam ou que não estejam verdadeiramente abertas à ideia, porque quando a gente leva uma pessoa pra um evento que só a gente curte, a gente acaba não ficando 100% em paz já que se sente na missão de entreter a outra pessoa também. Não vale a pena. Vá só!

Ah, e nunca é demais ressaltar o fato de que sozinhx você tem mais liberdade e menos estresse: você faz seu próprio horário, pode mudar os planos, caso se perca ninguém fica enchendo o saco, e soxinhx não precisa ser fotógrafx de ninguém (sem ofensas, mas às vezes a pessoa só quer ficar de boas respirando e olhando a paisagem com uma companhia. Tipo, sem foto).

Depois de ontem, me sinto instigada a sair sozinha.

 
Por incrível que pareça, é mais fácil conhecer gente and flertar fora da internet

Eu definitivamente (?) estou abolindo da minha vida o flerte online. Não tenho mais paciência pra paquerar em chats: fingir que não sou louca, responder mensagens instantâneas, tentar tirar um foto que convença que embora não seja fotogênica eu até que sou bonitinha… O Chuseok também me mostrou que conhecer gente nova ao vivo e a cores é mais fácil (risos).

 
Saiba lidar com dias de manifestações na rua

Por coincidência, ontem também foi o dia escolhido para a manifestação do movimento #EleNao e mais coincidente ainda é que a concentração aqui do Recife foi lá no Derby, onde eu estava.

Eu tinha lido sobre isso no jornal pela manhã, mas achei que quando o evento do IBL acabasse o pessoal do protesto já estaria no centro e as vias do Derby liberadas. Calculei errado.

Deu um certo trabalho chegar em casa, na verdade cheguei só 3 horas depois. O que nos leva a última lição do dia:

“Ao sair só, leve dinheiro sobressalente, e em dias de protestos saiba identificar rotas alternativas para chegar em casa”

Sobre a manifestação: muito lindas as bandeiras e meias coloridas, muito lindo os casais homoafetivos. Muito feio os homi fazendo xixi nas àrvores.


Sobre o evento em si, o que tinha era o seguinte:

Cover de kpop

Sessão de Dorama

Goblin 😍

Comidas típicas, Karaokê, e aula de Hangul. E eu finalmente provei Pepero (biscoito coreano).


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É um prazer te “re-conhecer”

Imagem: Pixabay

Esperando o ônibus na rua 1° de Março, depois de uma manhã nos armarinhos do centro, tentando não derreter com o calor típico de Recife. Cansada de revezar o peso do corpo entre as pernas, olho para trás, um pouco impaciente, procurando um lugar na sombra para me escorar, e vejo um rosto conhecido.

É uma menina do tempo da escola. Ela está olhando para outra direção, fumando um cigarro, mas tenho certeza que já me viu. Retornando a minha posição anterior, lhe viro as costas para evitar contato visual já que, embora a gente tenha estudado na mesma sala, nunca interagimos de forma saudável. Por algum motivo ela não simpatizava comigo, e eu também não gostava de seu jeito. Nada concreto.

Enquanto reflito sobre ódio gratuito, um vendedor de pipocas avisa que mais a frente há um protesto e que por isso os ônibus não estão circulando. Uma nuvem escura de pneus queimados confirma o caos.

Tem um degrau perto da garota do colégio, e eu decido ignorar toda a tensão entre a gente pra ficar sentada lá até que o protesto acabe.

Algumas pessoas caminham até outra rua onde dizem que os ônibus estão conseguindo desviar, e a garota, sem olhar para mim, pergunta se a gente deve ir também. Meio surpresa respondo, digo que é mais seguro continuar ali distante e que é um protesto pequeno dos comerciantes locais, logo vai acabar. Ela concorda com um som quase inaudível.

Silêncio.

Para quebrar o gelo pergunto sobre a turma. Pergunto meio sem jeito, acreditando que ela vai me ignorar, mas logo ela está me contando quem casou, quem teve filho, quem está na faculdade. Sobre si, conta que trancou administração, já eu conto sobre Maracaípe, logística e meu retorno à Recife.

Depois de um momento de silêncio ela solta uma risada e fala que me achava muito fresquinha na época do colégio. Eu tenho que concordar, e sorrindo digo que eu também não seria amiga da Poliane de 2011, mas que acredito que as pessoas mudam um pouco com o passar dos anos. Ela concorda mais uma vez.

Depois que confesso que também não ia com sua cara, mas que até que estou curtindo sua conversa, levanto do degrau estendendo a mão e brincando falo: “prazer em te re-conhecer também”.


Ando conhecendo novas versões de um monte de gente “das antigas”.

Sobre Primeira Vez, e outras particularidades que me aconselham a não compartilhar na internet…

Imagem: Pixabay

Como registrei em um outro post aqui no blog, meu 1° beijo aconteceu em meados do ano passado (sempre quis usar a palavra “meados” em um texto que não fosse um resumo de um livro de História). Eu tinha 20 anos, estava curiosa e cansada de carregar a sigla BV comigo, e alguns parentes estavam me pressionando (Rich falava pra eu deixar de frescura e beijar alguém logo, e minha tia dizia que eu não podia afirmar que gostava de meninas sem antes tentar ficar com um garoto), então eu bolei um esquema e perdi o BV com um rapaz que conheci por acaso numa visita ao meu tio.

Era só pra perder o BV mesmo, e, como contei no outro relato, fui bem honesta com ele sobre isso e sobre todo o resto (“não estou apaixonada por você…”, “eu me sinto atraída por garotas…”) e mesmo assim ele me pediu em namoro, coisa que aceitei depois de perceber que seria algo conveniente pra mim já que:

a) Mamãe, em particular, estava visivelmente contente em me ver com um boy;

b) Não sei como explicar isso, mas eu passei tanto tempo acreditando que era hétero e tanto tempo na igreja sendo educada a “namorar com a bênção dos pais”, que acabou se tornando uma fantasia ter um namoro hétero. Eu queria viver isso e dar esse gosto aos meus pais antes de ser eu de verdade. Como uma pessoa que está cursando Medicina para agradar seus pais, mas pretendendo trabalhar com Design Gráfico assim que acabar a faculdade. Ou como aquele amigo gay que casou com uma mulher só pra viver o conto de fadas de ter filhos e uma esposa;

c) Eu podia ir mais além com ele, pra me livrar do termo “virgem” também. Explico: como a sociedade nos faz acreditar que “sexo de verdade” é com penetração, na minha cabeça eu, erroneamente, pensava que a primeira vez TINHA QUE SER OBRIGATORIAMENTE com um cara pra ser considerada de verdade.

Então eu meio que criei uma lista imaginária, e mesquinha, de coisas pra fazer antes de dispensar o infeliz rapaz, que basicamente consistia em:

• Realizar minha doentia fantasia de namoro hétero fazendo ele me apresentar a sua família e apresentando ele à minha pra agradar todo mundo;

• Perder a virgindade com ele.

Eu tinha a consciência de que usar as pessoas é algo horrível, e pra driblar a culpa eu pensava: “Homi nem tem sentimento mesmo”, “Ele ainda vai sair no lucro já que tá dando uns pega em mim”, “ele sabe que não morro de amores por ele, ele sabe!” Mas quando terminei a palhaçada e vi o menino arrasado percebi o quão oca e calculista eu sou às vezes… e de modo algum, me orgulho disso hoje.

Segurei a farsa por 2 semanas, então terminei o namoro. E, embora tenha sido pouco tempo, rendeu algum conteúdo. O post é para compartilhar algumas experiências e conselhos… Espero que não me odeiem ou julguem muito.


A tal da Primeira Vez

Ele tinha comentado que sua mãe, que era cuidadora, dormia no trabalho nos fins de semana, então eu sugeri dormir na casa dele certo sábado pra gente assistir filme até tarde, mas na verdade eu só queria riscar certo item da minha lista mesmo…

Lição n° 1: Nem sempre a Primeira Vez acontece na primeira tentativa. E tá tudo bem. Sem neuras. Não há nada de errado com você por isso.

Depois de assistir um pouco de filme e ouvir músicas, eu falei pra gente ir pro quarto. Ele tinha desenrolado camisinhas, e já era experiente, embora mais novo que eu, mesmo assim foi… é… como posso dizer??? Na verdade não foi. Na primeira tentativa a gente não conseguiu… “a bola não entrava pro gol”, entende? O que me deixou cheia de paranoia pensando que tinha algo de errado comigo ou com meu corpo, mas depois de algumas pesquisas e conversas vi que isso é algo bem comum de acontecer por causa de tensão ou nervosismo. Então não se culpem por bobagens!!!

Voltamos pra sala e pro filme.

Lição n° 2: As pessoas superestimam demais certas coisas…

Quando finalmente aconteceu, eu só conseguia pensar: “Então é só isso???” Nem dolorido nem sangrento como costumam dizer que é. Só trabalhoso mesmo. Também não é como nos “filmes adultos” (ainda bem!).

No dia seguinte: “eu te levo em casa”, mas eu só queria um pouco de espaço pra pensar, ir andando pra casa sozinha avaliando o que aconteceu…

“Eu deveria estar me sentindo mais mulher ou mais adulta agora???” “Mãe vai perceber só de olhar pra mim? Preciso lhe entregar um relatório completo só porque ela é minha mãe?” “Preciso conversar com Rich e com tia Tuthie urgente!!!”

Rich é meu irmão do meio, apenas um ano mais velho que eu. A gente ficou muito próximo depois da separação de nossos pais. A distância geográfica (ele aqui em Recife com mamãe e eu em Maracaípe com papai) fez este milagre com aqueles dois aborrescentes que brigavam pelo PC e por tudo. Ele foi a primeira pessoa pra quem contei que estava me encontrando com meninas, com ele divido grande parte de meus pensamentos, então não foi estranho falar sobre sexo com ele. Foi leve, natural e muito interessante ter um ponto de vista masculino sob minhas dúvidas femininas.

Conversei muita coisa com minha tia também, o que deixou minha mãe chateada se sentindo trocada/traída, mas nos tópicos seguintes você vai entender porque não dava pra ter uma conversa dessas com mamãe. E hoje eu penso que poderia ter tido uma conversa honesta com minhas colegas também, mas pagar de “desenrolada” diante delas fazia parte de minhas fantasias…

Detalhe: eu não curto penetração. Mesmo nos meus momentos sozinhas nunca gostei de introduzir dedos ou qualquer outras coisas (sim, já experimentei). Então eu não sentia dor nem prazer quando estava com ele, era só indiferente. Mas antes de saber que isso é normal e que tem nome, Gouinage, eu me sentia um E.T, afinal o sexo convencional (tido por muitos como o “sexo de verdade”) envolve penetração, então eu pensava que tinha a ver com “se acostumar” com “posição” e tentei outras vezes com meu então namorado…

Certa vez ele me apareceu com umas camisinhas de posto e eu já fiquei tipo “sério?” O que nos leva a próxima lição…

Lição n° 3: Leve sua própria camisinha, garota!!!

Se você quer segurança, conforto, sabor, lubrificante, glitter, plumas, sei lá compre você a camisinha! Gaste tempo escolhendo o melhor pra você, porque nem todos os caras se preocupam com essas coisas não, entende? Grande parte, a gente sabe, nem curte usar camisinha…

Lição n° 4: Não é só colocar a camisinha, é COLOCAR DIREITO!!!

Não bastava a camisinha fuleira, ele não tinha o cuidado de deixar a ponta sem ar. E o que aconteceu??? A camisinha estourou.

Lição n°5: Saiba lidar com acidentes.

Fiquei desesperada. Eu só conseguia pensar em bucho e IST. Procurei no Google sobre Pílula do Dia Seguinte e… parece uma bomba relógio esse troço, quanto mais você demora pra tomar, a eficácia da pílula diminui.

Bem na hora em que eu estava indo pra farmácia, minha mãe pergunta:

-Vai sair de novo?
-Vou na farmácia…
-Fazer???
-… (sorriso amarelo)

E minha mãe, que se diz mente aberta, que enche a boca e fala pras amigas que tem uma relação honesta com os filhos, começou a me xingar. Desceu o verbo mesmo, enquanto eu tentava justificar que realmente foi um acidente. Fiquei muito desapontada, but not surprise com minha mãe e antes de sair simplesmente falei quão hipócrita ela era.

A neura com uma possível IST só passou semanas depois, quando fiz um exame pra me certificar de que não havia contraído nada…

Uma informação importante: Se a camisinha rompeu ou por algum outro motivo você fez sexo desprotegido, pesquise por “Coquetel do dia Seguinte”.

Como em casa mamãe estava me ignorando e como eu ainda tinha um item da minha lista pra riscar (apresentá-lo ao meu pai), viajamos pra Maracaípe. Dei um genro temporário ao meu velho, alguém pra ele conversar aquelas coisas de sogro, sei lá.

No dia seguinte, em Maraca mesmo, eu informei “cê sabe que quando a gente voltar pra Recife eu vou terminar com você, né?” Aquilo não era mais útil pra mim, minha mãe estava odiando a gente junto, o sexo não era bom, e como meu pai já tinha conhecido ele eu podia manter a farsa de longe sem realmente estar com o rapaz. Ele pediu que eu não fizesse isso com ele, e, embora a gente soubesse o real motivo, toda hora eu inventava algo pra convencê-lo de que era melhor terminarmos… “não combinamos” “preciso passar mais tempo com minha família” “tô estudando pra concurso, preciso de concentração” “tô me sentindo sufocada” “a gente é muito novo pra se enganchar com uma pessoa só” .

Karma…

Quando eu penso que vou ter paz…Minha família ficou muito apegada a ele, acho que porque foi o primeiro menino que eu trouxe pra casa. E isso nos leva a próxima lição aprendida:

Lição n°6: Não leve pra casa um ficante, um rolo… apresentar à família dá um ar de seriedade. Não faça isso com seus pais, não faça isso com uma pessoa se suas intenção não é essa.

De repente ficou insuportável ficar em casa, porque parecia um fã-clube destinado a ele. Minha mãe dizia que o que eu fiz foi horrível, minha tia falava que eu iria me arrepender de ter deixado passar alguém que era tão bom comigo, meu pai queria entender o que aconteceu, meu tio me perguntava o que eu fiz pra deixar o menino deprimido e minha prima dizia pra eu ter cuidado pra essa história não virar uma daquelas do Cidade Alerta, de namorado que não aceita o fim do relacionamento.

Falei pra minha tia que a gente não pode ficar com alguém só porque esse alguém nos trata bem, isso é o básico que uma pessoa pode fazer por outra, e pra minha prima expliquei que a gente não pode manter um relacionamento por medo.

Em uma conversa com meu pai ele me disse que eu não devia ter feito isso com eles (recentemente descobri que até hoje meu pai mantém contato com ele), mas também me disse que eu não precisava me culpar tanto, pois não era a primeira nem a última pessoa a partir o coração de alguém.

Depois disso, sai com algumas garotas, mas acho que não sou uma pessoa “namorável”. Pra mim foi mais fácil manter um namoro de conveniência do que me entregar as pessoas que já me apaixonei de verdade. Conheci uma garota muito incrível, mas que deixei escapar por medo de me entregar a algo que foge do meu controle. Não sei lidar quando sou eu que estou interessada. Odeio minhas emoções.

Depois dela não quis conhecer mais ninguém.


Por muito tempo tive receio de falar/escrever sobre essas coisas. Um dos motivos é uma certa divisão que há no próprio meio LGBT+, tipo lésbicas que discriminam outras lésbicas que já se relacionaram com homens. Mas hoje em dia eu não faço muita questão de ser aceita em grupos não, sabe? Minha prioridade é ser uma pessoa de conversa sincera. Então é isso.

Crise Existencial n° 87631152773

Fiquei analisando as coisas ao redor por horas, o que me deu uma preguiça da gente. Uma sensação de que nada mais pode me surpreender ou despertar meu interesse nesse mundo, uma falta de sentido da vida: por que corremos atrás de tanta coisa física se não vamos levar nada daqui? A gente tem tanta pressa por quê?

Compartilhei o pensamento com a pessoa errada e acabei sendo censurada: “há tanta gente lutando pela vida enquanto você, saudável, reclama”. Mas essa é só outra coisa que já  não me surpreende, o ser humano tem medo de perguntas difíceis e por isso associa o questionamento de crenças a blasfêmia e o questionamento da vida a reclamação. Mas okay, respeito quem foge do tema, porque eu lembro como é difícil ter certeza de alguma coisa nessa vida, e mais ainda de como é perturbador perdê-la.

Mas não me deixei intimidar e continuei pensando sozinha. E pensar no assunto já é um começo, pois lembro que em outros tempos eu mesma não me dava essa liberdade; quando os questionamentos começavam eu tratava logo de espantá-los. Era mais confortável manter as ilusões do que tentar encontrar as respostas, as razões.

Eu não acreditava que desse pra extrair algo positivo desses momentos de reflexão,  na maioria das vezes eu só ficava deprimida mesmo, achando que nada mais valia o esforço já que a gente vai morrer (risos). O resultado que eu obtia era pensar: “Por que ir pra escola se a gente vai morrer mesmo, né?” e então eu não queria fazer mais nada (risos). Agora, mais crescida, acho saudável pensar em vida, morte, e nos porquês, pois essa reflexão que antes era sinônimo de tristeza e loucura, hoje me desperta a ser autêntica e a procurar um significado interessante pra minha existência fazendo essa estada no mundo valer a pena.

Burra – Esforçada – Inteligente

imageImagem: Pixabay
Imagem: Pixabay

No começo do ano, quando iniciei minha busca ao primeiro emprego com a Cacheada, decidi ajudar meu tio Dário, que também está desempregado, entregando seus currículos com os nossos, já que buscamos vagas no mesmo segmento. Pra isso, precisei elaborar um currículo, e enquanto pedia suas informações para o esboço, percebi um constrangimento e uma baixa autoestima quando ele me disse que não tinha concluído o Ensino Médio nem tinha muitos cursos.

Eu acreditava que ele tinha o EM completo, e fiquei meio surpresa em saber que não, e mais do que isso, fiquei incomodada que ele, tão inteligente e criativo, estava se sentindo inferior por seu currículo. Eu tinha que fazer alguma coisa.

“E aí, tio? Queres ir atrás desse certificado do Ensino Médio? Posso te ajudar com isso!”

Como ele se mostrou disposto a recuperar o tempo perdido, eu comecei a pesquisar formas de ajudá-lo e foi quando descobri o ENCCEJA – Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos, um exame que concede o certificado de conclusão dos ensinos Fundamental e Médio aos que não tiveram a oportunidade de concluir no tempo certo.

Fizemos sua inscrição, e eu lhe disse os assuntos que ele precisava estudar (a grade completa do Ensino Médio), mas se pra mim, que vi esses assuntos recentemente, às vezes custa recordar, imagina pra ele que não os estuda há muito mais tempo? Então ele me pediu uma ajuda… com matemática.

“Então, tio… aí é com Rich ou outra pessoa, porque sou péssima com números e raciocínio lógico.”

Mas Rich está em Maraca.

Vi que precisaria ajudá-lo com as matérias também, mas fiquei pensando como fazer isso se eu tinha uma péssima história com a matemática…

Tudo começou no fundamental, quando começaram a misturar a porra dos números com letras e eu deixei de ser a criança prodígio que não fez a segunda série pois já sabia fazer todas as continhas e precisou ser adiantada, e passei a ser a menina que chorava na hora da prova e que SEMPRE ia pra recuperação de Matemática. O professor era bom, eu que me enrolava mesmo, sem contar que tinha uns sabichões que respondiam os exercícios rapidão e ficavam exibindo o resultado bem alto na sala sem dar a chance da lesma aqui calcular sozinha, então a aula acabava, não dava tempo de eu tirar dúvidas e no outro dia já era outro assunto pra aprender. Raitifudê!

A escola até deu início a um reforço de matemática básica aos sábados para os que tinham notas baixas,e eu me inscrevi porque pensei que só teria gente como eu, gente REALMENTE COM DIFICULDADE, mas adivinha quem estava lá? Os sabichões alugando a atenção dos professores pra ganhar um “parabéns”, uma estrelinha, um biscoito, não sei… MINHA GENTE, SE TOQUEM. NÃO APAREÇA NO REFORÇO SE VOCÊ TIRA 10, A NÃO SER QUE SEJA PRA AJUDAR!!! Desisti do reforço e às vezes desistia da matemática (risos).

No EM foi mais tranquilo, melhorei um pouco, mas mesmo assim ainda tive muita dificuldade.

Quando o colégio acaba, a gente pensa que está livre dos cálculos, mas a verdade é que TUDO tem cálculo (até nos rins. Desculpa a piada!), não tem como fugir… No curso técnico de Logística, por exemplo, era cálculo pra todo lado, mas as piores cadeiras foram Estatística, Matemática Financeira, e Gestão de Estoques. Grande parte da turma pagou Estatística 3x. Sério! Eu, péssima com números, passei de primeira nessas disciplinas, porque todos os dias eu levava umas 2 horas pra chegar no IF, e por isso não me permitia voltar pra casa com dúvidas ou sem entender o assunto como na época do colégio. E explorava mesmo os professores, os colegas de turma, e a mim mesma, e por mais boba que fosse a dúvida eu perguntava. Assim aprendi que quando temos dificuldade em algo temos que trabalhar isso ao invés de fugir. E precisar ajudar meu tio me deu gás para voltar a estudar a disciplina que eu mais me atrapalhava.

Agarrei o desafio de ajudá-lo, apesar de minha própria dificuldade, e comecei a estudar e preparar questões pra ele, que entende rapidão os assuntos e tem sido ótimo, porque passar o pouco que sei reforça na minha cabeça esses assuntos que vou precisar pra futuros concursos, Enem, etc… Sem contar que aprendo muito com ele também.

Bom, o exame é amanhã, e estamos todos muito apreensivos! :] É isto!

O que eu quis passar com esse post, foi o seguinte:

•Se você quer, ou conhece alguém que quer, conseguir o Certificado de Conclusão do Ensino Fundamental/Médio, uma das opções é o ENCCEJA;

•Ser inteligente é MAIS do que ser bom em cálculos, entre tantas outras coisas, acho que é fazer boas escolhas. Eu não sou boa com números, mas hoje acho que sou inteligente pelo simples fato de escolher trabalhar minhas fraquezas ao invés de fugir delas. E tio Dário com certeza também fez uma escolha muito inteligente, a de ir atrás de seu certificado.

Uma coisa que tudo isso tem me ensinado é pensar que se fulano consegue, eu também consigo, pois como fulano estou com a mente sadia, tenho acesso a um livro e fulano é um ser humano normal como eu. O fato de fulano ter “jeito pra coisa” significa que ele aprende mais rápido ou sozinho, mas não quer dizer que é impossível pra mim.

Se inspire no próximo, não se sinta inferior a ele.


PolianÊ

A Infeliz Saga dos Cálculos Renais VI | Fim?!?

Dias 18, 19 e 20/07/18: Internamento pré-operatório; segunda tentativa de cirurgia; alta.

Resumão:

Em Junho, na 1° tentativa da Ureteronefrolitotripsia Flexível a Laser (que eu chamei de “cirurgia por baixo” no post anterior), o equipamento não subiu, então voltei pra casa com um cateter ureteral – o Duplo J -, que depois me explicaram que era pra ajudar a dilatar o ureter possibilitando a passagem do ureteroscópio na próxima cirurgia.

O cateter tinha validade de 3 meses, mas, como Deus é muito legal comigo, marcaram rapidinho minha nova cirurgia que aconteceu dia 19/07. E, embora eu tenha dito no relato anterior que fariam a Percutânea (aquela com a incisão nas costas), eles optaram pela cirurgia flexível novamente (me explicaram que a percutânea envolve muitos riscos: perfuração de outros órgãos, necessidade de transfusão de sangue, etc e que por isso só é feita em último caso).

Dessa vez o equipamento subiu até o rim, foi assim que meu cirurgião viu que não se tratava de uma PEDRA, mas sim um CISTO CALCIFICADO. O Dr. S me disse que o cisto está numa parte mais isolada do rim, que não tende a crescer ou doer (acho que ele não pode afirmar isso, pois eu já tive crises antes), que sua remoção seria pela cirurgia percutânea com todos aqueles riscos, e que por essas razões não pretende mais mexer (só em caso de urgência). Estou meio preocupada com isso, mas já voltei a vida normal, porque como diz papai: O que não tem remédio, remediado está…

O que me deixa satisfeta, é que ele mesmo – meu cirurgião e urologista-  é quem vai fazer o acompanhamento desse cisto. E com acompanhamento quero dizer que a cada 6 meses eu devo lhe entregar algum exame de imagem (tomo ou ultra) para saber se cresceu ou sei lá o quê. Até 2019 então, Infeliz Saga dos Cálculos Renais…

Ele não vetou nada, mas eu sei que se eu tomar bebida alcoolica com certeza vou ter crise de rim, porque foi assim que tudo começou – em janeiro do ano passado, assim que voltei pra Recife, fui numa festa com Rich e essa foi a primeira vez que bebi DE VERDADE. No dia seguinte fui parar no hospital… (amadores!). Hoje morro de vergonha própria do post, mas aquele foi um dos dias mais legais da minha vida… -. Então é isso, minha relação com a bebida já começou acabando (risos), mas pra mim isso não é um drama, porque não sou muito fã de álcool, não, sou mais chegada em outros entorpecentes.

PolianÊ

Uma parada bem massa pra tu viajar

Não é o tipo de coisa que se compra em qualquer lugar. Eu mesma, antes de ser levada lá por um amigo, nem sabia onde achar essas paradas sozinha. Agora que sei, vou com frequência a procura de mais.

Na primeira vez que ele me deixou alguns, eu não usei assim logo de cara, preferi guardar pra desfrutar sozinha ou em alguma ocasião especial, sei lá. E foi num dia muito pensativo que acabei acendendo unzinho pra ver no que dava, já que dizem que ajuda a clarear as ideias.

Me enrolei um pouco com o isqueiro, e então… de primeira, nada demais. Só fumaça e um cheiro novo. Imaginando que fosse preciso alguns segundos, fechei os olhos para esperar o que quer que aquilo fosse me oferecer, mas foi quando novamente os abri que a magia aconteceu.

O quarto estava cheio de espirais de fumaça que se desmanchavam perto do teto, a janela aberta puxava, soprava e bagunçava essa fumacinha que passava por mim como fantasmas, e aquele cheiro… ah, o cheiro! O ambiente todo exalando o maravilhoso perfume do… cigar Incenso de Flor de Laranjeira (risos).

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Imagem: Pixabay