Cortei!

Imagem: Pixabay

Não tenho certeza, mas acredito que a causa sejam os cálculos renais que descobri há alguns meses. Quero dizer, foi desde que começaram as crises de rins, as febres, a anemia, os antibióticos, a infecção, que fui perdendo o meu cabelo.

Primeiro, muitos fios no chão da sala, depois meus rastros já podiam ser encontrados em qualquer canto da casa. Sério, não tinha um lugar que não tivesse um amontoadinho de cabelo meu! Até aí achei normal – mesmo sendo muitos fios – porém, numa manhã, ao passar a escova no cabelo, vi que a queda já estava extrapolando os limites da normalidade: na escova não via mais fios, eram tufos. “Mãe, olha isso!”.

Preocupada, comei a cuidar melhor das madeixas. Passei a usar leite de coco, diminuí o uso do secador e da chapinha, melhorei a alimentação e passei a lavar o cabelo com uma frequência menor, já que no banho ele caia muito mais. É, eu tentei, mas não adiantou… não parava de cair. 

Nervosa, comentei a situação com algumas pessoas, e ouvi: “são questões hormonais”, “é normal perder alguns fios aos 20 anos”, “é impressão sua”. Mas não. Não era coisa da minha cabeça. Era real. Eu realmente estava perdendo meus cabelos e ninguém me levava a sério. Só mamãe e Rich, pois eles eram testemunhas, eles viam aquele monte no lixeiro, no banheiro…

Mais umas semanas passaram e foi quando me dei conta de que meu cabelo estava ralo, com uma aparência de “lambido”, sabe? E as pessoas começaram a notar também… Até que depois de alguns comentários, dei um “confere” no espelho e comecei a chorar. Naquele momento desabei e pensei: “fodeu, não posso ficar careca”. 

Minha autoestima foi atingida. Não dava para usar solto, pois não tinha o mínimo volume, o penteado Rabo de Cavalo era apenas uns fiapos que sobrara, e então eu falei para a minha mãe (que por sinal é cabeleireira) que o melhor era cortar, mas ela não me apoiou assim logo de cara.

Muito triste, mandei uma enorme mensagem para uma amiga do IF, que havia feito o BigChop (grande corte) enquanto passava pela transição capilar. Eu imaginei que ela fosse me entender. E me entendeu! Disse que sua mãe também teve medo que ela se arrependesse de cortar tão curtinho, mas minha amiga sabia que difícil mesmo era ver o cabelo nas duas testuras. No final das contas ela conseguiu convencer sua mãe de que sabia o que queria e cortou seu cabelo. Ficou diferente, mas lindo. E naquela mesma noite, depois daquele verdadeiro testemunho da minha amiga, também convenci mamãe. 

Curti muito minha imagem no espelho, não houve drama ou arrependimentos porque na verdade nunca tive medo de cortar meu cabelo, e sempre quis experimentar algo mais ousado.

Não posso dizer que não ligo para o que os outros pensam, porque estaria mentindo, mas no geral os comentários têm sido positivos. Já ouvi que fiquei mais moderna, mais adulta, e mais alta com este novo visual. 

Eu gosto do que vejo no espelho.

Mesmo com essa empolgação do corte novo, às vezes me pego com medo de que os fios continuem caindo, até porque ainda não terminei meu tratamento do rins. Mas eu não vou me vitimizar nem sofrer por antecedência, vou aproveitar meu novo cabelo, e o que for pra ser, que seja! Eu me digo todos os dias que “cabelo cresce”, que “Deus sabe o que faz”, que “vai dar tudo certo”. E insisto: sou uma árvore trocando suas folhinhas, um pássaro trocando suas penas.

Reativei minha conta do facebook para comparar algumas fotos. 🙂

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Ah, conheçam o blog da minha amiga que fez transição capilar, clicando aqui.

Beijujubas, gente que me lê.


    PolianÊ

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